domingo, 3 de junho de 2012

Reflexão Final



Passados três meses de estágio faço uma análise do trabalho desenvolvido na Divisão de Serviços Urbanos na Câmara Municipal de Beja e sinto que cresci não só a nível profissional mas também a nível pessoal, tornando-me mais autónoma e responsável.

Todo este progresso não teria acontecido sem o apoio e dedicação da Eng.ª Cláudia Videira que trabalhou connosco durante estes meses. Por isso resta-me agradecer a forma como nos acolheu e a simpatia que nos demonstrou. Gostei bastante da autonomia e da confiança que nos depositou na realização das tarefas, o que fez com que nos tornássemos pessoas ainda mais responsáveis.

Não posso deixar de agradecer também à Eng.ª Fátima, à médica veterinária municipal Dr.ª Linda Rosa que nos acompanhou nas vistorias, às administrativas Joana e Paula, ao Sr. Milhano da forma como nos acolheram, à D. Mariana que passou muito do tempo connosco e ao prof. Rogério por nos ter acompanhado ao longo do estágio. Um agradecimento especial à minha colega e amiga Ana Lima por este tempo que passámos juntas, obrigada pelo apoio nos momentos menos bons.

Em relação às atividades gostei de todas as que desenvolvemos durante o estágio, no entanto houve uma que me despertou maior interesse, foi sem dúvida as vistorias à Ovibeja. Para mim, é uma enorme satisfação trabalhar “no terreno”. É umas áreas da saúde ambiental que me desperta grande interesse. Nestas vistorias tivemos a oportunidade de trabalhar com pessoas de diversas áreas o que foi bastante enriquecedor e gratificante. Considero este estágio uma mais-valia porque me permitiu trabalhar noutras áreas que ainda não tinha trabalhado, é sempre uma experiência nova e diferente.

Como estou a terminar a licenciatura não posso deixar de agradecer aos professores que tornaram isto tudo possível e que contribuíram para que conseguíssemos chegar até aqui, à Professora Cidália, Professora Raquel, Professor Rogério, Professor Albino e Professor António Branco, a todos o meu obrigado. 


Um agradecimento muito especial à minha família, foram o meu pilar nestes 4 anos.


E assim, ficam para trás 4 anos de muito trabalho, estudo, esforço e dedicação, mas também muita diversão, amizade, companheirismo e alegria. Levo daqui grandes recordações e grandes amizades que nunca quero perder, obrigada por tudo. Levo-vos no meu coração!



VIVA O II CURSO DE LICENCIATURA EM SAÚDE AMBIENTAL



O fim chegou… e a Saúde Ambiental marcou :)

Obrigada por tudo J

Carina Guerreiro
Junho de 2012

Celebração do dia da criança no Jardim Público de Beja


Caros leitores,
sejam bem-vindos ao meu blog, esta será a minha última publicação sobre as atividades realizadas no estágio. E assim se passaram 3 meses...

Foi em 1954 que a Assembleia – Geral das Nações Unidas instituiu oficialmente o dia da criança e confiou à UNICEF a responsabilidade de o promover em todo o mundo, tendo como objetivo divertir as crianças no quadro de manifestações e atividades organizadas em sua honra, e também sensibilizar a opinião pública para as suas necessidades e direitos, não apenas das que nos são mais próximas mas de todas as crianças do mundo. Este dia é assinalado em mais de 150 países, de Janeiro a Dezembro. Em Portugal é celebrado a 1 de Junho.

Fonte: UNICEF – Portugal

No dia 1 de Junho a Divisão de Serviços Urbanos da CMB participou nas comemorações do dia da criança no Jardim Público, com a realização de um jogo que apresentava vários conceitos de deveres dos proprietários de animais de companhia, bem como regras de utilização dos espaços verdes e de deposição dos resíduos.

Para que este dia com as crianças fosse um sucesso, antes eu e a minha colega Ana Lima tivemos que preparar as atividades e alguns brindes para oferecer às crianças. Nada disto teria sido possível sem a preciosa ajuda de 3 colegas estagiários de Gestão do Ambiente.

A actividade principal é a realização de um jogo, o jogo utilizado intitula-se “passear o meu cão, só de saco na mão”, dirigido aos alunos do pré-escolar e da primária. Consiste num jogo de tabuleiro em tamanho grande, que permite jogar várias equipas em simultâneo. Em cada equipa um membro é o peão, o outro lança o dado, e os restantes elementos respondem às perguntas e participam nas atividades. A equipa que chegar primeiro vence o jogo e recebe um prémio. Em cada casa que tem uma imagem foram colocadas atividades, para as crianças aprenderem ao mesmo que se divertem.
  •  Casa que o dono apanha o dejecto do cão: o peão avança 2 casas;
  • Casa do cão com trela: é colocada uma pergunta se a equipa acertar avança 3 casas, caso contrário fica uma vez sem jogar;
  • Casa do cão com o dejecto: os membros da equipa visualizam várias imagens e identificam as que estão certas e erradas;
  •  Casa com o molok: é colocada uma pergunta se a equipa acertar avança 2 casas, caso contrário recua 1 casa;
  • Casa dos ecopontos: os membros da equipa tem que identificar a que corresponde cada ecoponto (ex: verde – vidrão) e posteriormente realizam uma prova que consiste em colocar resíduos nos ecopontos corretos;
  • Casa com resíduos: Um membro da equipa tem que completar corretamente um puzzle, acompanhado da imagem.
  • Casa dos espaços verdes: é realizado o jogo das palavras, no qual existem 4 cartões cada um com uma palavra, o jogador que retirar o cartão tem que dar 3 pistas aos restantes membros da equipa sem nunca a dizer a palavra que está no cartão. Se acertarem o peão avança 1 casa, caso contrário recua 1.


Imagens da preparação das atividades para o jogo:

Figura 1 a 4- Ecopontos para a separação dos resíduos, puzzle para completar, jogo das palavras e imagens para identificar as certas e erradas.
Imagem da preparação dos brindes (estes brindes foram criados através da utilização de materiais recicláveis):
Figura 5 a 10 - Brindes para oferecer às equipas vencedoras.

Considero que este dia foi um sucesso passado junto das crianças, pois é bastante gratificante trabalhar com os mais novos. As crianças mostraram-se bastante entusiasmadas com as atividades que tínhamos preparadas para eles. Considero esta uma exelente forma de as crianças aprenderem ao mesmo tempo que se divertem. Não podia ter terminado o estágio de melhor forma J, pois, as crianças são o melhor do mundo"

Ficam algumas imagens do decorrer do jogo:



Figura 11 a 16 - Realização do jogo no jardim público

Quero fazer um agradecimento especial à eng.ª Cláudia por nos ter acompanhado na atividade e aos colegas estagiários.



Até breve J




sábado, 2 de junho de 2012

Plano de gestão de resíduos do Mercado Municipal de Beja


Boa tarde caros leitores!

Cá estou eu de novo para vos falar das atividades realizadas no estágio na CMB. Esta publicação será das últimas que vos vou disponibilizar uma vez que estou na reta final do estágio.

A produção de resíduos é um fator que está associado à vida quotidiana de todos os cidadãos, em que a maioria das atividades humanas gera resíduos, refletindo as condições de vida das populações. De forma a preservar os recursos naturais existentes e a evitar a poluição e a propagação de doenças, é necessário adotar comportamentos que garantam um futuro sustentável. Assim, depois de uma visita ao Mercado Municipal de Beja, e de verificarmos que não era feita a correta separação dos resíduos, eu e a minha colega Ana Lima, tivemos a iniciativa de sugerir a elaboração de um Plano de Gestão de Resíduos do Mercado Municipal de Beja. Esta ideia foi prontamente aceite pela nossa tutora de estágio e então demos inicio ao nosso trabalho. É importante referir que realizámos este trabalho no mercado municipal, uma vez que está a cargo da Divisão de Serviços Urbanos (DSU) da CMB, onde estamos a realizar o estágio. 

Breve caracterização do Mercado Municipal de Beja

O Mercado Municipal de Beja foi construído no ano de 1964 no limite do núcleo histórico de Beja, inserido numa zona mista da cidade, isto é, numa zona habitacional onde existe atividade comercial. Esta é considerada uma área privilegiada não só por ser adjacente ao Jardim Público, Correios, Casa da Cultura, Biblioteca e Gare Rodoviária, mas também devido aos seus excelentes acessos pedonais e rodoviários que facilitam a deslocação dos consumidores a este espaço comercial.
O edifício possui um pátio interior descoberto, à volta do qual se desenvolve a estrutura do Mercado, sendo constituído por dois pisos (piso 0 e piso 1). No seu interior, o Mercado Municipal contém várias zonas divididas por sectores comerciais diferentes, nomeadamente: pescado, hortofrutícola, lojas, Minipreço e produtos de artesanato no pátio interior descoberto. 

Classificação dos resíduos produzidos

No Mercado Municipal de Beja são produzidos essencialmente dois tipos de resíduos: resíduos sólidos urbanos e resíduos sólidos urbanos institucionais. De acordo com o Decreto-Lei Lei nº. 178/2006, de 5 de Setembro, os resíduos sólidos urbanos são todos os resíduos oriundos de habitações, bem como outros resíduos semelhantes ou equiparados a este, quer pela sua natureza ou composição, sendo por isso também designados de resíduos domésticos. Existem várias classificações para os diversos produtos dos resíduos sólidos urbanos. 
Os resíduos sólidos urbanos institucionais são classificados como “institucionais” devido ao facto de estes serem produzidos num serviço ou instituição a cargo do Estado. Esta classe de resíduos assemelha-se bastante à dos resíduos sólidos urbanos ou domésticos, ou seja, são resíduos orgânicos e inorgânicos produzidos em áreas habitacionais e estabelecimentos comerciais.

No Mercado são produzidos maioritariamente resíduos orgânicos correspondentes a desperdícios ou sobras de géneros alimentícios que se encontram para venda, como miudezas do peixe na parte do pescado e verduras na parte hortofrutícola, plásticos, papel e caixas de cartão. É relevante referir que os resíduos orgânicos são facilmente putrescíveis devido à sua rápida decomposição, especialmente nas épocas em que surgem temperaturas mais elevadas, como a Primavera e o Verão. Estes fatores contribuem para o aparecimento de pragas e vetores, nomeadamente insetos e roedores. Ocasionalmente, são também produzidos resíduos inorgânicos, como o vidro, embalagens de alumínio e metal.

Implementação do Plano de Gestão de Resíduos

É importante a implementação de um eficaz plano de gestão de resíduos, de forma a controlar a quantidade e tipo de resíduos produzidos diariamente, através da promoção da correta separação dos resíduos produzidos, de modo a sensibilizar os trabalhadores para esta problemática e ao mesmo tempo incentiva-los a esta prática. Garantindo desta forma a redução de problemas ambientais e também da saúde nos trabalhadores e população em geral.

Propostas de melhorias no mercado municipal

A seguir são apresentadas algumas propostas de melhorias (necessidades e acções) de forma a garantir uma correta gestão dos resíduos.
Tabela 1- Propostas de melhoria no mercado municipal de Beja

Separação dos resíduos

A população produz uma grande quantidade de resíduos, que podem ser reaproveitados, através da reciclagem, pois permite reutilizá-los como matéria-prima no fabrico de novos produtos, diminuindo assim o uso de recursos naturais. A reciclagem é um processo que resulta em grandes vantagens, como:
  • Redução de emissões de CO2;
  • Redução de energia e matérias-primas; 
  • Redução da quantidade de resíduos encaminhados para o aterro. 
As imagens abaixo representadas com a cor do ecoponto correspondente enumeram os tipos de resíduos que devem ser colocados em cada um deles e os que não devem ser colocados:


Figura 1 e 2 -  O que depositar e não depositar no ecoponto amarelo e no ecoponto azul


Figura 3 e 4 - O que depositar e não depositar no ecoponto verde e no ecoponto vermelho

Boas práticas

Elaborámos uma tabela com as boas práticas a adotar com os resíduos e as pragas, para afixar no mercado municipal.
Tabela 2 - Boas práticas a adotar com os resíduos e pragas



Tabela 3 - Sinais e danos provocados pelas pragas
Deixo aqui disponível o link para aceder ao Plano de Gestão de resíduos em formato digital (Para consultar clique no link).
Plano Gestão Resíduos Mercado Municipal de Beja

Referências bibliográficas
AMBIPRIME, Consultoria e Gestão ambiental. Acedido em: 8 de Maio de 2012m em http://www.ambiprime.com/plano-gestao-residuos.html 

Diário da República, Decreto-lei nº 178/2006 de 5 de Setembro. Acedido em: 8 de Maio de 2012, em http://dre.pt/pdf1sdip/2006/09/17100/65266545.pdf
Portal da saúde Pública, Higiene alimentar (Código de boas práticas). Acedido em: 8 de Maio de 2012, em http://www.saudepublica.web.pt/TrabClaudia/HigieneAlimentar_BoasPraticas/HigieneAlimentar_CodigoBoasPraticas1.htm


Para além destas atividades foi solicitado pela nossa tutora, Eng.ª Cláudia, a concepção de um género de um folheto, com o resumo do documento que nós tínhamos elaborado anteriormente sobre os Eco-conselhos, de modo a facilitar a leitura. Apresento abaixo o resultado final que irá ser colocado posteriormente no site da Câmara Municipal de Beja:
Figura 1 - Eco - conselhos no quotidiano
Para a sensibilização da população para a problemática dos dejetos caninos elaborámos também um documento informativo em formato digital, que irá ser disponibilizado no site da CMB. (Para consultar o documento clique no link)
Livrinho dejectos caninos

Posso dizer que gostei bastante de realizar estas atividades, sinto que desenvolvi os conhecimentos adquiridos ao longo do curso. Espero que continuem atentos ao meu blog em breve irei colocar mais informação. É com alguma tristeza que estou a chegar ao fim.

Até breve J

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Vistorias higio-sanitárias na OviBeja

Olá caros leitores, peço desculpa a minha ausência pelo blog mas o tempo tem sido escasso. E assim está a chegar quase ao fim o meu estágio e estou a terminar a última etapa da minha vida académica. Sinto-me orgulhosa de ter conseguido chegar até aqui mas ao mesmo tempo triste por estar a terminar.

A Ovibeja, como marca de qualidade, de discussão e análise dos temas da atualidade, de reivindicação, de festa e de convívio é um evento que já marcou posição em termos regionais, nacionais e até além fronteiras, como é o caso da Espanha.


A Ovibeja é o encontro da diversidade e da riqueza da cultura alentejana e nacional. É um local de festa e de diversão, um espaço de negócio e de troca de experiências, um terreiro de cultura e de debate, um fórum político e de cidadania. 

Também concursos e exposições de gado, corridas de toiros, demonstrações equestres, artesanato, comércio, provas desportivas, exposições empresariais e institucionais preenchem a oferta do certame para além de uma intensa programação cultural, com espectáculos e concertos para animar as famosas "Ovinoites".


Em eventos destas dimensões os restaurantes e bares são dos locais mais frequentados pelos visitantes, pelo que é crucial o controlo de qualidade dos serviços prestados, através da realização de vistorias higio-sanitárias. Nesta sequência, foi solicitado por parte da tutora de estágio, a Eng.ª Cláudia Videira, que eu e a minha colega Ana lima, colaborássemos na realização destas vistorias. Para a realização destas vistorias é formada uma equipa multidisciplinar, neste caso: a arquitecta Madalena da CMB com a estagiária Inês, a veterinária municipal Dr.ª Linda Rosa, a técnica de saúde ambiental da ULSBA (Unidade Local de saúde do Baixo Alentejo) Dr.ª Isabel Cansado, a engenheira da ANPC (Autoridade Nacional de Protecção Civil) Eng.ª Isabel e a engenheira alimentar da ACOS (Associação de Criadores de Ovinos do Sul) Eng.ª Inês. Nesta sequência, dias antes do início da feira e das vistorias foi organizada uma reunião na CMB com os elementos integrantes da equipa juntamente com um responsável da ACOS, Sr. João Santos para estruturar e organizar o trabalho. Nesta reunião ficou decidido que iriamos vistoriar apenas os estabelecimentos de restauração e bebidas e estabelecimentos de bebidas e que iríamos trabalhar em conjunto com a dr.ª Isabel Cansado.

Nas vistorias são utilizadas fichas de verificação das condições higio-sanitárias, então eu e a minha colega Ana lima elaborámos duas checklists de acordo com a legislação em vigência, uma para estabelecimentos de restauração e bebidas e outra apenas para estabelecimentos de bebidas (Figura 1 e 2). No entanto, uma vez que se trata de instalações amovíveis e/ou temporárias foi decidido em conjunto com a Dr.ª Isabel que iriamos utilizar uma checklist anteriormente elaborada na Unidade de Saúde Pública da ULSBA referente a este tipo de instalações, restauração e bebidas (Figura 3).

Figura 1 - Ficha de verificação para avaliação das condições higio-sanitárias em estabelecimentos de Restauração e Bebidas



Figura 2 - Ficha de verificação para avaliação das condições higio-sanitárias em estabelecimentos de  Bebidas

Figura 3 -  Ficha de verificação para avaliação das condições higio-sanitárias em instalações amovíveis e/ou temporárias

As vistorias realizam-se durante um dia, no total vistoriamos 18 instalações, uma vez que havia instalações que se encontravam encerradas. No entanto, durante a feira estas instalações foram visitadas pela Eng.ª alimentar da ACOS. No decorrer das vistorias verificámos que as anomalias encontradas eram comuns a todas as instalações.

Depois da realização das vistorias, dirigimo-nos à USP juntamente com a Dr.ª Isabel para elaborarmos o relatório de vistoria. Como referi anteriormente, as anomalias encontradas foram comuns a todas as instalações então elaborámos um relatório geral para todas as instalações. Apresento abaixo o relatório de vistoria (Figura 4):

Figura 4 - Relatório de vistoria

Eu e a minha colega Ana Lima, tivemos a ideia de premiar o estabelecimento com melhores condições de higiene e segurança alimentar, para tal elaborámos um “Selo de Qualidade” para entregar ao proprietário do melhor estabelecimento eleito. Contudo, não nos foi possível entregar o selo ao melhor estabelecimento. Apresento aqui o selo de qualidade (Figura 5):
Figura 5 - Selo de qualidade

Não descurando todas as atividades anteriormente realizadas no estágio, esta foi a que mais gostei e a mais interessante para mim, pois, não só trabalhei diretamente com uma pessoa da nossa área como pus em prática os conhecimentos adquiridos ao longo da minha formação académica.

Até breve caros leitores J Aguardem mais novidades J




terça-feira, 15 de maio de 2012

Vistorias de rotina a veículos de transporte e venda de pão



Olá caros leitores J

Cá estou de novo para vos falar das atividades realizadas no âmbito do estágio. Como o tempo passa a correr parece que foi ontem que iniciei esta nova etapa e já estou quase a terminar, mas com certeza que levo daqui excelentes recordações e muita aprendizagem.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), ao abrigo da sua lei orgânica aprovada pelo Decreto-Lei nº 274/2007, de 30 de Julho, promove ações de natureza preventiva e repressiva em matéria de infrações contra a qualidade, genuinidade, composição, aditivos alimentares e outras substâncias e rotulagem dos géneros alimentícios e dos alimentos para animais.
A sua ação de fiscalização centra-se em diversas matérias tais como:
  • Estabelecimentos de abate, preparação, tratamento e armazenamento de produtos de origem animal;
  • Estabelecimentos que laboram produtos da pesca, incluindo os de aquicultura, navios fábrica, embarcações, lotas, armazéns e mercados grossistas;
  • Cadeia de comercialização dos produtos de origem vegetal e animal, incluindo os produtos da pesca e da aquicultura e actividades conexas;
  • Circulação e comércio de uvas destinadas à produção de vinho, de mosto e de vinho e produtos vínicos em todo o território nacional;
  • Lagares de azeite e, por sua vez, o destino do azeite obtido da azeitona laborada e seus subprodutos;
  • Oferta de produtos e serviços nos termos legalmente previstos, tendo em vista garantir a segurança e saúde dos consumidores;
  • Cumprimento das obrigações legais dos agentes económicos;
  • Todos os locais onde se proceda a qualquer  atividade industrial, comercial, agrícola, pecuária, de abate, piscatória, incluindo a actividade de pesca lúdica, de promoção e organização de campos de férias ou de prestação de serviços, designadamente de produtos acabados e ou intermédios, armazéns, escritórios, meios de transporte, entrepostos frigoríficos, empreendimentos turísticos, empreendimentos de turismo no espaço rural, empreendimentos de turismo de natureza, agências de viagem, empresas de animação turística, estabelecimentos de restauração e bebidas, cantinas e refeitórios, clínicas veterinárias, recintos de diversão ou de espectáculos, infraestruturas, equipamentos, espaços desportivos, portos, gares e aerogares.
  • Jogo ilícito.
Fonte: Autoridade de Segurança Alimentar e Económica

Cabe a esta entidade (ASAE), o licenciamento dos veículos de transporte e venda de pão, que posteriormente são inspecionados pela Médica Veterinária Municipal anualmente. Assim, no âmbito das inspeções anuais, deram entrada na Câmara Municipal de Beja (CMB), os pedidos de vistoria aos veículos, tendo como objetivo avaliar as condições gerais de higiene. Neste sentido, eu e a minha colega Ana Lima, acompanhámos a Médica veterinária Municipal, Dr.ª Linda Rosa à vistoria de rotina a 13 veículos de transporte de venda de pão e afins (pastelaria e salgados) de uma panificadora em Beja.

De acordo com o Decreto-Lei nº275/87 de 4 de Julho, artigo 10º, no transporte e venda de pão e produtos afins não embalados, só podem ser utilizados transportes adaptados para o efeito, de caixa fechada, cuja abertura só se deve efetuar no momento da entrega do produto. Esta caixa isolada da cabina de condução, deve ser feita de material resistente e não deve ter nenhuma parte forrada por telas ou lonas, devendo também ser ventilado por um processo indirecto de forma a assegurar a perfeita higiene no interior do veículo.

Segundo, o Decreto-Lei nº 286/86de 6 de Setembro, com algumas alterações impostas pelo Decreto-Lei nº 275/87 de 4 de Julho, os veículos de transporte de venda de pão e afins não podem ser utilizados para outros fins. Excepto no transporte de matérias-primas para o fabrico do pão e produtos afins ou conjuntamente com produtos de pastelaria ou de outros produtos alimentares de embalagem intacta e não recuperável que não possam produzir alterações no pão e produtos afins, através de cheiros e sabores estranhos. Para além disto, os veículos devem ser mantidos em perfeito estado de limpeza e ser submetidos a adequada desinfecção periódica. Todos os veículos de transporte de pão e afins devem apresentar nos painéis laterais as inscrições: “transporte e venda de pão” ou apenas “transporte de pão”, conforme se aplique ao caso em questão.

Para além desta legislação, está disponível no site da CMB o Regulamento Municipal sobre a venda ambulante e no Portal da Saúde Pública, alguns requisitos em relação à venda e transporte de pão e afins.

Durante a vistoria verificámos que estes veículos cumpriam os requisitos mínimos impostos por lei e apresentavam ainda um sistema eficaz de HACCP e controlo de pragas. Após a realização das vistorias são elaborados autos de vistoria para cada um dos veículos, apresento aqui o exemplo de um auto de vistoria elaborado na CMB:
Imagem 1- Auto de vistoria a um veiculo de transporte  e venda de pão e afins


Gostei bastante de realizar esta atividade, uma vez que nunca tinha estado presente numa vistoria deste tipo. Para além da preciosa ajuda da Dr.ª Linda Rosa durante a vistoria, o trabalho de pesquisa que efectuei com a minha colega Ana Lima anteriormente à vistoria foi crucial. Na minha opinião, esta foi mais uma atividade superada com sucesso e enriquecedora para nós enquanto estagiárias na CMB.

Brevemente irei fazer mais publicações, desta vez sobre vistorias realizadas na grande feira do Alentejo, Ovibeja.

Até breve caros leitores J



Referências bibliográficas:

Diário da República, Decreto-Lei nº 275/87 de 4 de Julho. Acedido em: 1 de Maio de 2012, em: http://dre.pt/pdf1sdip/1987/07/15100/26172617.pdf
Diário da República, Decreto-Lei nº 286/86 de 6 de Setembro. Acedido em: 1 de Maio de 2012, em:  .http://dre.pt/pdf1sdip/1986/09/20500/24542458.pdf
Regulamento de Mercados, Feiras e Venda Ambulante. Câmara Municipal de Beja. Acedido em: 1 de maio de 2012, em:
Saúde Ambiental, Restauração / Padarias. Portal da Saúde Pública. Acedido em: 1 de Maio de 2012, em: http://www.saudepublica.web.pt/06-saudeambiental/065-Restauracao/padarias.htm#Pão

terça-feira, 8 de maio de 2012

Vistoria de controlo a uma Queijaria


Ao longo do tempo, a higiene e segurança alimentar tem vindo a adquirir um lugar de destaque nas principais preocupações da Indústria Alimentar. Isto acontece devido à crescente preocupação do consumidor em consumir alimentos que sejam seguros para a saúde humana. Com a evolução da sociedade surgiu esta grande preocupação, nomeadamente uma maior sofisticação na produção de alimentos.

O Decreto-lei nº 113/2006 de 12de Junho, visa assegurar a execução e garantir o cumprimento, no ordenamento jurídico nacional, das obrigações decorrentes dos Regulamentos (CE) 852/2004 e 853/2004, ambos do Parlamento Europeu e do Conselho, de 29 de Abril, relativos à higiene dos géneros alimentícios e às regras específicas de higiene aplicáveis aos géneros alimentícios de origem animal. Estas regras são aplicáveis em todas as fases de produção, transformação e distribuição de alimentos por forma a assegurar a higiene e qualidade dos produtos que chegam até ao consumidor. Assim, é importante ter em atenção alguns aspetos para manter a inocuidade dos alimentos, como o funcionamento irregular ou má higienização dos equipamentos, o incorreto armazenamento dos produtos, a deficiente higiene pessoal dos trabalhadores, o uso de material de limpeza inadequado, entre outros. Neste sentido, de forma a evitar que ocorram estes problemas surgiu o sistema Hazard Analysis and Critical Control PointsAnálise de Perigos e Controlo de Pontos Críticos, habitualmente designado por HACCP, que tem como objetivo assegurar a segurança e salubridade dos alimentos produzidos, identificando os perigos específicos no decorrer das fases do processo produtivo, e tentando eliminá-los. O HACCP tem o benefício de ser um plano que pode ser aplicado em todas as etapas de fabrico do produto alimentar, desde a sua produção e preparação inicial até ao seu consumo. Este sistema tem também como vantagem prevenir de forma mais eficaz a probabilidade de ocorrência de problemas de toxinfecções alimentares ou outros problemas de origem alimentar.

Qualquer estabelecimento em funcionamento tem que cumprir requisitos impostos por lei, por forma a cumprir as condições de higiene e segurança. De acordo com o Código de Boas Práticas de Fabrico em Queijarias Tradicionais, as queijarias não devem comunicar com casas de habitação, salas de ordenha ou estábulos, para que não ocorra a contaminação quer do leite quer do queijo. Pode-se localizar no mesmo edifício desde que devidamente separada. Para tal, é necessário ter em atenção a circulação do ar e a orientação das janelas, de forma a evitar a entrada de ar contaminado.

Em relação às características dos pavimentos, tetos, paredes, portas e janelas estas devem ser de material facilmente lavável, liso e resistente de forma a garantir a fácil higienização.

As instalações de uma queijaria devem dispor de espaços mínimos exigidos para garantir um bom funcionamento, tais como: zona de receção do leite, sala de fabrico do queijo, sala de cura, zona de expedição do produto acabado e instalações sanitárias. As diferentes fases do processo de fabrico do queijo são:
  •  Receção e armazenamento do leite (refrigeração);
  • Pasteurização;
  • Preparação do coalho/coagulação;
  • Corte e agitação da coalhada;
  • Dessoramento e lavagem da coalhada;
  • Moldagem;
  • Prensagem;
  • Rotulagem e embalamento;
  •  Conservação (refrigeração);
  • Distribuição.

Para garantir a qualidade do produto e a não contaminação é necessário adotar uma série de boas práticas em todas as fases mencionadas anteriormente:

  • Higiene pessoal - Qualquer pessoa que trabalhe num local em que sejam manipulados alimentos, deve manter um elevado grau de higiene pessoal. Deve manter o seu corpo, vestuário e calçado em perfeito estado de limpeza. Num local em que sejam manipulados alimentos, é proibido:
    • Usar adornos (anéis, brincos, pulseiras, etc.;
    •  Fumar;
    •  Beber;
    • Comer;
    • Tossir ou espirrar para cima dos queijos ou superfícies em contacto com os mesmos;
    • Cuspir. 

  • Vestuário - Durante o período de produção deve ser utilizado vestuário de trabalho (bata, avental, touca, galochas ou socas de uso exclusivo na queijaria), o cabelo deve estar totalmente protegido por uma touca, o vestuário de trabalho só deve ser utilizado no interior da queijaria e a lavagem do vestuário deve ser da responsabilidade da queijaria.
  • Mãos – As mãos e antebraços dos operadores devem ser lavados:
    • Antes de iniciar o trabalho;
    •  Depois de utilizar os sanitários;
    • Depois de ter transportado lixo;
    • Quando muda de tarefa de trabalho;
    • Depois de comer;
    • Depois de mexer no cabelo, olhos, boca, ouvidos ou nariz;
    • Depois de ter espirrado, tossido, ou assoado;
    • Depois de manipular produtos de limpeza. 
  • Feridas e cortes - Sempre que existirem feridas ou cortes, devem ser protegidos com um penso de cor viva e impermeável, e devem usar-se luvas ou dedeiras de borracha.
  • Saúde dos trabalhadores - Os trabalhadores não podem trabalhar diretamente com os alimentos se:
    • Tiverem febre, diarreia, vómitos, expetoração, processos inflamatórios de garganta, nariz, ouvidos ou olhos, ou qualquer outra situação de doença;
    • Tiverem contraído ou suspeitem ter contraído uma doença potencialmente transmissível;
    •  Tiverem feridas não protegidas, infeções cutâneas e inflamações.

  • Limpeza e desinfeção - Os equipamentos e os utensílios devem ser mantidos em bom estado de higiene e conservação;
São realizadas regularmente vistorias de controlo a estabelecimentos que produzem ou vendem alimentos de origem animal por parte da Médica Veterinária Municipal de Beja, com o intuito de verificar as condições higio-sanitárias dos estabelecimentos de forma a não colocar em risco a salubridade dos alimentos, e consequentemente, a saúde pública. Neste sentido, eu e a minha colega Ana Lima, dirigimo-nos juntamente com a Dr.ª Linda Rosa a uma queijaria com o propósito de realizar a vistoria de controlo.

Ao longo da vistoria visitámos as instalações que se dividem em: Zona de receção e expedição, zona de fabrico; sala de refrigeração e pasteurização (utilizada como arrecadação); câmaras de 1ª, 2ª e 3ª fase; câmara de refrigeração; cozinha (para uso do pessoal); sala de lavagem de bilhas e instalações sanitárias separadas por sexo. No geral, considero que as instalações estavam em bom estado de higiene e conservação, verificámos apenas algumas irregularidades, tais como:
  •  Incorreta utilização dos Equipamentos de Proteção individual, principalmente a touca;
  • Existência de bens pessoais na zona de fabrico;
  • Pavimento danificado na zona de fabrico.
Gostei bastante de efetuar a vistoria porque foi a primeira vez que visitei um estabelecimento deste tipo e desconhecia tão detalhadamente o processo de fabrico do queijo. 

Brevemente irei atualizar novamente o meu blog caros leitores.

Até breve J


Referências bibliográficas:



Agro44.Manual de Boas Práticas de Fabrico em Queijarias TradicionaisAcedido em: 28 de Abril de 2012, em



Diário da República, Decreto-lei nº 113/2006 de 12 de Junho. Acedido em: 28 de Abril de 2012, em http://dre.pt/pdf1sdip/2006/06/113A00/41434148.pdf

Eur-Lex. Acesso ao Direito da União Europeia, Regulamento (CE) nº 852/2004, de 29 de Abril. Acedido em: 28 de Abril de 2012, em http://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=OJ:L:2004:139:0001:0054:PT:PDF


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